Roger Federer venceu hoje o francês Jo-Wilfried Tsonga em três sets por 6-3 7-5 6-4 e voltou a demonstrar um nível estratosférico que já não víamos há uns belos tempos, ou seja, desde que apareceu o "big four". Lembro-me de ver esta qualidade de jogo quando o suíço vencia todos (ou quase todos!) os torneios que disputava, principalmente frente a adversários como o Roddick ou o Nalbandian.
No jogo de hoje, que durou cerca de 1h50, apenas pudemos apontar um momento negativo em toda a exibição do Roger: vencia 4-2 no terceiro set, serviço do Tsonga, 0-40. Neste momento, quando tudo apontava para o 5-2 e consequente serviço do suíço para fechar o encontro, o francês deu um grito de raiva, libertando toda a pressão, recuperou o seu jogo de serviço e chegou a um ponto de break. Por pouco, não conseguiu fazer a quebra de serviço e voltar a entrar no jogo, mas esta é a única crítica que podemos fazer a uma exibição irrepreensível do campeoníssimo suíço. Nos restantes sets, um domínio total do Federer que apenas perdeu 17 pontos no seu serviço e concedeu um único ponto de break ao francês.
Roger Federer apresentou um primeiro serviço de mestre e venceu 42 dos 48 pontos disputados no seu primeiro serviço, fez 43 winners e 21 erros não forçados contra os 29/28 do Tsonga. Foi também notória a existência de dois "Tsonga's": aquele que tem um primeiro serviço poderoso, controla o ponto com a sua direita e destrói o adversário e o que não consegue colocar o primeiro serviço, é obrigado a jogar o ponto com a sua esquerda e dificilmente vence o ponto (Tsonga apenas venceu metade dos pontos quando colocou o segundo serviço!).
Fica assim aquela pergunta: será que vamos ter de volta o Federer irrepreensível que concede poucas hipóteses aos adversários, agora que ele tem a ajuda do Edberg? Acho que na próxima ronda, com um adversário bastante mais perigoso e vencedor de dois grand slams (Andy Murray) poderemos ter uma resposta mais assertiva, mas, se demonstrar a qualidade de hoje, o britânico pouco poderá fazer para evitar a derrota, a não ser oferecer a maior réplica possível ao suíço.
Daniela Hantuchova, ainda antes do encontro da terceira ronda com a Serena Williams, veio a público comentar o facto de não ter tido melhores resultados nos Grand Slams. Segundo a eslovaca, a "culpa é das irmãs Williams" que já a venceram por 12 vezes em Grand Slams (Serena 7 vezes e Venus 5). A única vitória foi perante a irmã mais nova no Open da Austrália de 2006. Hantuchova comparou ainda o serviço da Serena a um homem, dizendo que "a sua força é incrivel e ela realmente serve de uma forma excelente quando precisa".
Achei curiosa esta declaração, verdadeira sem dúvida, mas deve ser o pensamento de metade das jogadoras profissionais que têm discutido os Grand Slams nos últimos anos. Porquê? Porque as duas irmãs já conquistaram 24 Grand Slams desde 2000, ou seja, quase metade do total.
