segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O resumo da Taça Davis

 
Neste artigo, vou analisar os oito jogos do grupo mundial muito brevemente, bem como a eliminatória da seleção nacional na Eslovénia.
 
Eslovénia 3:2 Portugal
A eliminatória começou muito bem para as cores nacionais com a vitória (já esperada) do João sobre o menos cotado Janez Semjarc (fora do top 300 mundial). Se no segundo jogo sabíamos que seria complicado o Gastão jogar de igual para igual com o fortíssimo Blaz Kavcic (atualmente fora do top 100, mas com ténis de top 75), penso que nos pares a dupla Sousa / Elias poderia ter dado mais alguma réplica aos experientes Kavcic / Zemlja (alerto para o facto de Nuno Marques ter avisado que Zemlja ainda ia jogar e não se enganou!). No quarto jogo, Kavcic voltou a jogar a um nível muito alto e venceu o João em três sets, tendo confirmado o seu "hattrick" nesta eliminatória, sem perder qualquer set! No último jogo, Frederico Silva (ver na imagem o seu novo corte de cabelo) estreou-se na Taça Davis com uma vitória depois de ver o esloveno Mike Urbanija desistir ainda no primeiro set. É verdade que podíamos esperar um pouco mais de Portugal (Nuno Marques mostrou-se desiludido, mas orgulhoso dos seus jogadores!), em especial no par e no segundo singular do João; porém, a experiência de Kavcic a jogar em casa e a presença do Grega Zemlja (jogador experiente, habituado ao nível ATP e a estar presente no top 100) no par deram confiança à seleção da casa que acabou por vencer facilmente.
 
Rép. Checa 3:2 Holanda
Foi um jogo que se podia ter complicado depois da vitória do holandês Robin Haase sobre o Stepanek logo no primeiro dia. Este problema foi prontamente resolvido por um Berdych muito inspirado que não deu hipóteses a nenhum dos holandeses (Sijsling e De Bakker, que substituiu Haase no terceiro dia) e teve um papel muito importante no par que venceu em quatro difíceis sets a dupla formada pelo experiente Rojer e Haase. A eliminatória foi decidida no quarto jogo (Berdych d. De Bakker) e o último jogo permitiu à Holanda reduzir a desvantagem (Sijsling d. Rosol).
 
Japão 4:1 Canadá
Se no primeiro jogo foi Berdych a resolver a eliminatória, neste caso podemos dizer que o Japão sobreviveu graças a um "hattrick" do Kei Nishikori (venceu os dois singulares - contra Polansky e Dancevic - e o par, juntamente com o jovem compatriota Uchiyama). Esta eliminatória foi também decidida no quarto jogo. O último jogo (Go Soeda d. Polansky) serviu apenas para cumprir calendário.
 
Alemanha 4:1 Espanha
Com uma Espanha muitíssimo desfalcada, a Alemanha resolveu a eliminatória no par com a experiente dupla Tommy Haas / Kohlschreiber, mas a verdade é que o resultado de 3:0 no final do segundo dia é enganador (dos 9 sets ganhos pela Alemanha, 5 foram vencidos no tie-break!!!). O último dia contou com vitórias de Feliciano Lopez (desistência de Kohlschreiber) e de Daniel Brands (d. Roberto Bautista Agut).
 
França 5:0 Austrália
A França voltou a apresentar três dos quatro mosqueteiros do ténis francês atual (faltou Simon) e não teve problemas para vencer uma Austrália muito jovem e desfalcada da sua estrela Bernard Tomic. No final do segundo dia, os australianos apenas tinham vencido um set. Apesar da derrota, tanto Kyrgios como Kokkinakis (principalmente o primeiro) apresentaram um nível elevadíssimo para quem nasceu em 1995 e 1996, respetivamente.
 
Estados Unidos 1:3 Grã-Bretanha
As vitórias de Andy Murray nos dois singulares já eram de algum modo esperadas (d. D. Young e S. Querrey), mas temos de destacar a incrível vitória do menos conceituado James Ward sobre o gigante Sam Querrey em 5 duros sets (relembrem-se que foi este mesmo britânico que permitiu a presença da Grã-Bretanha no grupo mundial depois de já ter surpreendidos os russos no playoff, ou seja, temos aqui um caso de um jogador que se "agiganta" a jogar pelo seu país). No par, uma boa vitória dos irmãos Bryan sobre a também experiente dupla Colin Fleming / Dominic Inglot, mas que, de facto, nada serviu...
 
Argentina 1:3 Itália
Mais um caso de um jogador que levou literalmente a sua seleção às costas! Fabio Fognini venceu os dois singulares (d. Monaco e Berlocq), bem como o par ao lado do seu companheiro Simone Bolelli. A única vitória dos argentinos surgiu no primeiro dia com o lutador Carlos Berlocq a levar a melhor sobre Andreas Seppi. O último jogo não se disputou, depois de terem acontecido cenas lamentáveis no público argentino que se virou contra o sempre conflituoso Fognini. Foi mesmo preciso a intervenção dos seguranças e de alguns elementos da seleção argentina, que se apressaram a defender o jogador adversário de alguns objetos que eram enviados da bancada.
 
Cazaquistão 3:2 Bélgica
Este foi o encontro mais equilibrado e o único a ser decidido no quinto jogo. Destaque para as duas maratonas do jovem belga David Goffin (primeiro perdeu por 10-12 no quinto set com Andrey Golubev e ganhou no terceiro dia ao Mikhail Kukushkin com um "pneu" no quinto parcial) e para as duas vitórias do Golubev que se tornaram decisivas (d. Goffin e Bemelmans, este último no jogo encontro decisivo). A outra vitória da Bélgica foi no par, ao passo que no primeiro singular Kukushkin não teve dificuldades para vencer o belga Bemelmans.
 
Sérvia 2:3 Suíça
O resultado não espelha o que foi a eliminatória, pois, de facto, os suíços não tiveram qualquer dificuldade para vencer a Sérvia (muito desfalcada, sem Djokovic, Troicki nem Tipsarevic!) no centro desportivo de Novi Sad. Os singulares foram ganhos pelos campeoníssimos Roger Federer (d. Bozoljac) e Wawrinka (d. Lajovic), ao passo que o par Chiudinelli / Lammer foi implacável e venceu a dupla Krajinovic / Zimonjic em quatro sets. No último dia, duas vitórias para a Sérvia por Lajovic e Krajinovic.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O regresso do campeoníssimo; Hantuchova "culpa" as irmãs Williams


Roger Federer venceu hoje o francês Jo-Wilfried Tsonga em três sets por 6-3 7-5 6-4 e voltou a demonstrar um nível estratosférico que já não víamos há uns belos tempos, ou seja, desde que apareceu o "big four". Lembro-me de ver esta qualidade de jogo quando o suíço vencia todos (ou quase todos!) os torneios que disputava, principalmente frente a adversários como o Roddick ou o Nalbandian.

No jogo de hoje, que durou cerca de 1h50, apenas pudemos apontar um momento negativo em toda a exibição do Roger: vencia 4-2 no terceiro set, serviço do Tsonga, 0-40. Neste momento, quando tudo apontava para o 5-2 e consequente serviço do suíço para fechar o encontro, o francês deu um grito de raiva, libertando toda a pressão, recuperou o seu jogo de serviço e chegou a um ponto de break. Por pouco, não conseguiu fazer a quebra de serviço e voltar a entrar no jogo, mas esta é a única crítica que podemos fazer a uma exibição irrepreensível do campeoníssimo suíço. Nos restantes sets, um domínio total do Federer que apenas perdeu 17 pontos no seu serviço e concedeu um único ponto de break ao francês.

Roger Federer apresentou um primeiro serviço de mestre e venceu 42 dos 48 pontos disputados no seu primeiro serviço, fez 43 winners e 21 erros não forçados contra os 29/28 do Tsonga. Foi também notória a existência de dois "Tsonga's": aquele que tem um primeiro serviço poderoso, controla o ponto com a sua direita e destrói o adversário e o que não consegue colocar o primeiro serviço, é obrigado a jogar o ponto com a sua esquerda e dificilmente vence o ponto (Tsonga apenas venceu metade dos pontos quando colocou o segundo serviço!).

Fica assim aquela pergunta: será que vamos ter de volta o Federer irrepreensível que concede poucas hipóteses aos adversários, agora que ele tem a ajuda do Edberg? Acho que na próxima ronda, com um adversário bastante mais perigoso e vencedor de dois grand slams (Andy Murray) poderemos ter uma resposta mais assertiva, mas, se demonstrar a qualidade de hoje, o britânico pouco poderá fazer para evitar a derrota, a não ser oferecer a maior réplica possível ao suíço.


Daniela Hantuchova, ainda antes do encontro da terceira ronda com a Serena Williams, veio a público comentar o facto de não ter tido melhores resultados nos Grand Slams. Segundo a eslovaca, a "culpa é das irmãs Williams" que já a venceram por 12 vezes em Grand Slams (Serena 7 vezes e Venus 5). A única vitória foi perante a irmã mais nova no Open da Austrália de 2006. Hantuchova comparou ainda o serviço da Serena a um homem, dizendo que "a sua força é incrivel e ela realmente serve de uma forma excelente quando precisa".
Achei curiosa esta declaração, verdadeira sem dúvida, mas deve ser o pensamento de metade das jogadoras profissionais que têm discutido os Grand Slams nos últimos anos. Porquê? Porque as duas irmãs já conquistaram 24 Grand Slams desde 2000, ou seja, quase metade do total.